Já ouviste o velho enigma: “Se uma árvore cai na floresta e ninguém está por perto para ouvir, faz barulho?” Essa questão não é sobre árvores. É sobre se a realidade existe por si mesma ou só quando é percebida.
Agora troca a árvore por uma técnica de massagem.
Se o terapeuta aplica uma manobra, mas o cliente não a sente, a massagem aconteceu?
Do ponto de vista mecânico, sim — o tecido foi comprimido, a circulação alterada, a fáscia alongada. As “ondas sonoras” estão lá. Mas a massagem não é só biomecânica. Se o sistema nervoso do cliente não regista o toque — se não conecta, ressoa ou sequer é notado — então, para o cliente, nada aconteceu.
A massagem é como a linguagem. Podes ser fluente em manobras, ritmo e protocolos, mas se ninguém entende o que estás a “dizer”, é ruído, não comunicação. O toque que não é recebido como significativo é como palavras ditas para o vazio.
Eis a verdade incómoda: a massagem não é definida pelo que fazes, mas pelo que o cliente regista. As tuas mãos podem falar com precisão, mas se o corpo do cliente não ouve a mensagem, a sessão é muda.
Isto não significa que a mecânica seja irrelevante — tal como as ondas sonoras existem, mesmo sem ouvintes. Mas a massagem não é uma experiência de física. É um diálogo. E o diálogo exige um ouvinte.
A questão real é: Que tipo de massagem estás a falar — e que tipo de massagem o teu cliente está realmente a ouvir?
É nesse espaço entre ação e perceção que a massagem vive.